O advogado Walfrido Warde solicitou nesta quinta-feira (21/1) sua desvinculação da defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A decisão ocorre enquanto circulam nos bastidores especulações de que Vorcaro, diante da piora de sua situação, poderia optar por um acordo de colaboração premiada, estratégia que Warde não apoia. As informações são da coluna de Andréia Sadi, pelo g1.
O que está em jogo no caso Master e na possível delação de Daniel Vorcaro?
O caso Master se consolidou como um dos principais escândalos financeiros em curso no país, com potencial de grande repercussão política e regulatória. Uma eventual delação premiada de Daniel Vorcaro preocupa Brasília porque poderia detalhar operações financeiras, negociações com agentes públicos e eventuais esquemas ainda não totalmente mapeados.
No centro do inquérito está a suspeita de fraude na venda de carteiras de crédito do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB), em operações de cerca de R$ 12,2 bilhões. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já classificou o episódio como possível “maior fraude bancária” da história do país, o que reforça o peso institucional e o impacto potencial sobre a confiança no sistema financeiro.
Como Banco Central, TCU e STF transformaram o caso Master?
O Banco Central determinou, em novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master após detectar irregularidades nas negociações com o BRB e na estrutura de crédito do banco. A medida, típica de cenários de risco grave à solidez de uma instituição financeira, desencadeou questionamentos técnicos e políticos e passou a ser examinada também sob a ótica de governança regulatória.
O Tribunal de Contas da União (TCU) ordenou inspeção em documentos e atos da liquidação, enquanto o Banco Central se tornou alvo de ataques digitais, com supostos pagamentos milionários a influenciadores para desacreditar sua atuação. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de 2025, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, que decretou sigilo e determinou acareação, sinalizando a complexidade e a divergência de versões.
Por que o afastamento de Walfrido Warde pode alterar a estratégia de defesa?
A saída de Walfrido Warde da defesa de Daniel Vorcaro ocorre no momento em que cresce a percepção de que a delação premiada se tornou uma possibilidade concreta. Como o advogado é publicamente contrário a esse tipo de acordo, sua substituição é interpretada como ajuste estratégico e possível abertura para negociações mais diretas com Ministério Público e Polícia Federal.
Em um caso dessa magnitude, a mudança na equipe jurídica tende a repercutir em várias frentes, com impactos que vão da condução processual à leitura do risco pelo mercado e por reguladores:
- Estratégia jurídica permite novas linhas de atuação, incluindo eventual colaboração premiada e acordos de leniência correlatos.
- Relação com autoridades pode influenciar o ritmo e o tom das tratativas com órgãos de investigação e de controle.
- Percepção do mercado afeta a avaliação sobre risco institucional, governança e estabilidade regulatória do setor financeiro.
Quais impactos o caso Master pode gerar?
O desfecho do caso Master tende a servir de referência para futuras ações de supervisão bancária, bem como para a atuação do Banco Central em situações de risco sistêmico. Autoridades já discutem ajustes em práticas de fiscalização, gestão de crises e prevenção de fraudes em operações estruturadas de crédito e de venda de carteiras.
Entre os possíveis efeitos estão a revisão de procedimentos sobre operações de crédito entre bancos, maior rigor em transações envolvendo instituições de porte médio e regional, aperfeiçoamento das regras de transparência na relação entre bancos e órgãos públicos e fortalecimento de mecanismos contra campanhas de desinformação voltadas a atacar reguladores.