O telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, realizado na tarde dessa quinta (15/1), marcou um novo capítulo nas relações entre Brasil e Panamá, ao preparar a viagem de Lula ao país centro-americano para a abertura do Foro Econômico Internacional da América Latina e Caribe, organizado pela CAF, e alinhar posições sobre comércio, integração regional, Venezuela e temas multilaterais como ONU e direito internacional.
Como a visita de Lula ao Panamá reforça diplomacia econômica?
A presença de Lula na abertura do Foro Econômico Internacional da América Latina e Caribe é considerada estratégica para a diplomacia econômica brasileira em 2026. O evento, coordenado pela CAF, reúne autoridades, especialistas, setor privado e organismos internacionais para debater desenvolvimento, financiamento e integração regional.
A participação do Brasil tende a reforçar pautas como infraestrutura sustentável, inclusão social, transição energética e digitalização de serviços. Para o Panamá, anfitrião do encontro, a visita fortalece sua imagem como plataforma de diálogo regional e polo de serviços, apoiada na relevância logística do Canal do Panamá nas rotas globais de comércio.
Qual a relação entre Brasil e Panamá com o Mercosul?
A conversa entre Lula e José Raúl Mulino destacou a recente adesão do Panamá como estado associado ao Mercosul, abrindo espaço para acordos mais amplos em comércio de bens e serviços, investimentos e cooperação regulatória. A reunião bilateral prevista para 28 de janeiro deverá detalhar oportunidades em logística, energia, agricultura, serviços financeiros, tecnologia e economia verde.
Para o Brasil, o fortalecimento do vínculo com o Panamá pode ampliar rotas de exportação e facilitar o acesso a mercados da América Central e do Caribe. Já para o Panamá, a aproximação com a economia brasileira tende a diversificar parcerias e atrair novos investimentos, incluindo projetos de zonas francas, portos e corredores de transporte integrados.
Quais os detalhes do telefonema?
Durante o telefonema, Lula e Mulino trocaram impressões sobre a situação na Venezuela, reiterando a importância de preservar a paz e a estabilidade na América Latina e no Caribe. Ambos defenderam soluções pacíficas baseadas em diálogo, respeito às instituições e mediação regional, em linha com a tradição diplomática latino-americana.
Ao mencionar a Venezuela, os presidentes sinalizaram preocupação com impactos sobre fluxos migratórios, comércio e segurança regional. Eles reforçaram o papel de organismos multilaterais e instâncias de mediação na busca de saídas negociadas, destacando que desequilíbrios políticos e econômicos em um país repercutem diretamente na dinâmica dos vizinhos.
Como Brasil e Panamá defendem fortalecimento da ONU?
Outro ponto de convergência foi o compromisso de fortalecer as Nações Unidas e a defesa do direito internacional como pilares do multilateralismo. Lula e Mulino enfatizaram a necessidade de uma ONU mais representativa e eficiente para lidar com crises globais, disputas territoriais, mudanças climáticas e desafios humanitários.
Ao endossar o papel da ONU, os dois presidentes defenderam a solução pacífica de controvérsias, o respeito às soberanias nacionais e a cooperação para o desenvolvimento. Esse alinhamento se conecta à lógica do foro econômico organizado pela CAF, que busca aproximar governos e instituições financeiras em torno de objetivos comuns e regras claras.