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Um executivo de jatos particulares rejeitou as críticas de que sua indústria era um dos principais emissores de gases do efeito estufa, alegando que os animais de estimação poluem igualmente ou mais, enquanto a demanda por transporte de luxo dispara.
Patrick Hansen, executivo-chefe da Luxaviation, sediada em Luxemburgo, disse à cúpula Negócios de Luxo do Financial Times, em Mônaco, que um dos clientes de sua empresa produz cerca de 2,1 toneladas de CO₂ por ano, ou aproximadamente a mesma quantidade que três gatos –antes de um porta-voz retificar a declaração fora do palco dizendo que ele se referia a três cachorros.
A indústria estava ciente da urgência de limitar sua pegada de carbono, mas os dados devem “ser colocados em perspectiva”, disse Hansen durante um painel de debate nesta terça-feira (23). Ele acrescentou que os voos privados “não vão desaparecer, porque fornecem um serviço de [economia de] tempo” para os ricos.
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Hansen disse mais tarde que estava se referindo a dados publicados em um livro de Mike Berners-Lee, um acadêmico britânico, chamado “How Bad Are Bananas” [Como as bananas são ruins]. Ele afirma que um gato mantido como animal doméstico é responsável por 310 kg de emissões de carbono por ano, e um cachorro por cerca de 700 kg.
Berners-Lee disse em um e-mail que ficou “surpreso e desapontado ao ouvir os dados do meu livro usados para defender as falsas reivindicações ecológicas feitas pela Luxaviation”. Ele levantou dúvidas sobre o número de 2,1 toneladas fornecido por Hansen, dizendo que parecia “suspeitamente baixo” e “deve ser para voos muito curtos e aviões muito pequenos”.
“A simples realidade é que as emissões de jatos particulares de luxo são muitas vezes maiores do que as dos voos comerciais padrão. Também não é razoável afirmar que os danos climáticos podem ser desfeitos pela chamada ‘compensação'”, acrescentou. “Jatos particulares de luxo são uma enorme indulgência de carbono.”
As empresas de jatos particulares se beneficiaram da demanda crescente desde o início da pandemia de Covid-19 em 2020, quando os ultrarricos procuraram evitar multidões e restrições. Apesar de todas as restrições de viagem terem sido suspensas, a tendência deve continuar, pois os gastadores buscam experiências de viagem mais personalizadas e luxuosas, de acordo com especialistas do setor. A demanda global por jatos particulares aumentou mais de 14% desde antes da pandemia, segundo dados do setor.