“O Judiciário não vai se acovardar”, diz Moraes, do STF, sobre ataques às eleições

“O Judiciário não vai se acovardar”, diz Moraes, do STF, sobre ataques às eleições

Durante participação de congresso em Salvador, ministro do Supremo indicou que “o verdadeiro obstáculo para um regime ditatorial é um Poder Judiciário independente”

ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou neste sábado que o Poder Judiciário não vai “se acovardar” frente a milícias digitais que atacam a democracia brasileira. “O Judiciário não pode baixar a cabeça para movimentos populistas”, disse Moraes no Congresso Brasileiro de Magistrados, em Salvador.

Apesar dos ataques, Moraes disse acreditar na continuidade do Estado de Direito do Brasil. “Nós superamos dois impeachments. O fato de termos turbulências não significa que não temos estabilidade democrática.”

Para o ministro, os movimentos populistas e o ataque ao Judiciário não são descoordenados. “Isso foi sendo construído pelos movimentos populistas, principalmente pela extrema direita. Não é descoordenado, tem muito dinheiro.”

Moraes afirmou que as milícias digitais impulsionam as fake news nas redes sociais para sugerir que o descrédito do Judiciário, das eleições e da imprensa é uma percepção do povo brasileiro. 

“Os movimentos populistas se apoderaram das plataformas [digitais]. Quando percebemos, as milícias digitais tomaram conta das narrativas, atacando a democracia”, disse o magistrado em palestra. 

O ministro do Supremo afirmou que um dos principais alvos de ataques dos movimentos de extrema direita é o processo eleitoral e rememorou as críticas desses grupos ao uso da urna eletrônica nas eleições. “Nós vamos garantir a democracia no Brasil, com eleições limpas, transparentes e urnas eletrônicas”, reforçou. 

Para Moraes, o Judiciário substituiu as Forças Armadas na função de assegurar o poder das instituições e autoridades brasileiras desde a Constituição de 1988 e, por isso, se tornou alvo de grupos antidemocráticos. “O verdadeiro obstáculo para um regime ditatorial é um Poder Judiciário independente.”

O ministro do STF reiterou no Congresso de Magistrados a importância de o Judiciário se manter firme. “A estabilidade da República depende de um Judiciário com a mesma dignidade do Executivo e do Legislativo.”

Ontem, os ministros do STF Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Dias Toffoli palestraram no Congresso e também afirmaram que as eleições serão asseguradas pelo Judiciário.




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