Autoridade eleitoral pedirá recontagem de votos para o Senado colombiano

Autoridade eleitoral pedirá recontagem de votos para o Senado colombiano

Principais forças políticas do país denunciam uma suposta fraude na apuração; eleições aconteceram no dia 13 de março

Acusado de denúncias de uma suposta fraude, o chefe da autoridade eleitoral na Colômbia anunciou nesta segunda-feira (21) que pedirá para realizar uma recontagem dos votos para o Senado das eleições de 13 de março.

“Devido às inúmeras inconsistências nos formulários (…) solicitarei amanhã (terça-feira) novamente a recontagem de todas as mesas do Senado da República”, disse à imprensa o registrador nacional, Alexander Vega.

Na última semana, Vega foi alvo de fortes críticas por parte das principais forças políticas do país, que denunciam uma suposta fraude na apuração. 

Por um lado, o candidato presidencial e ex-guerrilheiro Gustavo Petro afirmou que na pré-contagem de 13 de março supostamente não foram considerados cerca de 500.000 votos para os candidatos esquerdistas ao Senado e à Câmara Baixa.

Petro lidera o Pacto Histórico, uma coalizão de movimentos de esquerda que conseguiu uma bancada histórica de mais de 40 parlamentares, embora o resultado poderia ter sido maior. 

Diante desse avanço sem precedentes, o ex-presidente direitista Álvaro Uribe (2002-2010), à frente do governante Centro Democrático, questionou a “esmagadora votação do petrismo” em eleições que “deixam total desconfiança”.

Uribe, cujo partido passou de ter 51 a 30 cadeiras no Legislativo, pediu para não reconhecer os resultados e pediu uma recontagem. 

“Vamos deixar o país e todas as forças políticas tranquilos”, disse Vega. 

Petro se mostrou alarmado pela decisão e insinuou sem provas uma manipulação a favor de Uribe.

“A esta hora podem estar enchendo as malas de votos (…) Não há cadeia de custódia transparente sobre os votos já apurados”, escreveu o atual senador no Twitter ao exigir que os “observadores internacionais” atuem prontamente.

O registrador reconheceu que houve “erros humanos” por parte dos júris eleitorais, que fizeram “riscos constantes no formulário” que registram os resultados de cada mesa, gerando “imprecisões”.

A ONG Missão de Observação Eleitoral criticou a falta de treinamento dos responsáveis pela contagem dos votos antes das eleições, enquanto os delegados da União Europeia apontaram falhas no desenvolvimento dos formatos. 

Vega negou que seja uma prática sistemática. “Nenhum voto foi perdido, isso não é um ato malicioso”, concluiu. 

Em 29 de maio, os colombianos elegerão o sucessor do presidente Iván Duque, em uma eleição na qual Petro é o grande favorito para ser o primeiro presidente de esquerda do país. (AFP)




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