200 jornalistas da Folha de São Paulo se revoltam contra a própria Folha

200 jornalistas da Folha de São Paulo se revoltam contra a própria Folha

Uma carta assinada por cerca de duzentos jornalistas do próprio jornal pedindo que a Folha de S.Paulo não concedesse mais espaço a ideias consideradas racistas foi divulgada na última quarta-feira. O jornal respondeu defendendo sua liberdade editorial e o imbróglio se fez.

Carta aberta de jornalistas da Folha à direção do jornal


Caros membros da Secretaria de Redação e do Conselho Editorial da Folha,
Nós, jornalistas da Folha aqui subscritos, vimos por meio desta carta expressar nossa
preocupação com a publicação recorrente de conteúdos racistas nas páginas do jornal.


Sabemos ser incomum que jornalistas se manifestem sobre decisões editoriais da
chefia, mas, se o fazemos neste momento, é por entender que o tema tenha
repercussões importantes para funcionários e leitores do jornal e no intuito de contribuir
para uma Folha mais plural.
O episódio a motivar esta carta foi a publicação de artigo de opinião intitulado “Racismo
de negros contra brancos ganha força com identitarismo” (Ilustrada Ilustríssima, 16/1),
em que Antonio Risério identifica supostos excessos das lutas identitárias, que
estariam levando a racismo reverso.
Para além de reafirmarmos a obviedade de que racismo reverso não existe, não
pretendemos aqui rebater o que afirma o autor —pessoas mais qualificadas do que nós
no tema já o fizeram, dentro e fora do jornal.
No entanto, manifestamos nosso descontentamento com o padrão que vem se
repetindo nos últimos meses.
Em mais de uma ocasião recente, a Folha publicou artigos de opinião ou colunas que,
amparados em falácias e distorções, negam ou relativizam o caráter estrutural do
racismo na sociedade brasileira. Esses textos incendeiam de imediato as redes sociais,
entrando para a lista de mais lidos no site. A seguir, réplicas e tréplicas surgem,
multiplicando a audiência.




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