Indígenas temem resultado de julgamento no Supremo

Indígenas temem resultado de julgamento no Supremo

Temor da decisão favorável ao marco temporal é de que haja uma explosão de violência entre ruralistas e indígenas

O grande temor das nações originárias, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) mantenha o marco temporal para a ocupação das reservas — que vai a julgamento na próxima quarta-feira —, é a explosão da violência entre ruralistas e indígenas e um crescimento das disputas judiciais entre os dois lados. Essa preocupação foi manifestada, ontem, na conversa que algumas lideranças que estão acampadas na Esplanada dos Ministérios tiveram com o Correio Brasiliense.

Geovani, um dos líderes do povo Krenak de Minas, salientou que “os povos indígenas estão muito sensíveis às atitudes do governo, pois a cada dia há ataques mais agressivos por parte do presidente Jair Bolsonaro. Nunca deixamos de lutar pelo território por condições de sobrevivência”.

Para Katu, da etnia Tupinambá de Una (BA), a luta não termina com um resultado do STF sobre o marco temporal. Ele diz que continuarão batalhando contra qualquer proposta que lhes fira os direitos, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/00 — que altera a Constituição para transferir o poder de demarcação de terras indígenas e quilombolas para o Congresso, competência que, atualmente, é da União. “Essa proposta (do marco) só interessa aos ruralistas, mas não vamos ficar parados. Somos 305 povos neste país”, disse.

Tukumã, Pataxó da aldeia Coroa Vermelha de Santa Cruz de Cabrália (BA), explicou que o que está em jogo no STF é sua ancestralidade. “Fomos ensinados pelos nossos pais, avós, bisavós, tataravós a cuidar das nossas terras. A terra é nossa mãe. Não podemos pensar só no dinheiro, temos que pensar no coletivo, na comunidade”, observou.

Cássio, um dos líderes da etnia Tapeba, do interior do Ceará (CE), alerta: “Acionaremos os órgãos internacionais para que o nosso direito seja garantido”, destacou.

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