Cubanos camuflam localização de celular para acessar internet

Cubanos camuflam localização de celular para acessar internet

Governo cortou sinais de internet no país para evitar novos protestos

Passados três dias desde os protestos em Cuba, a conexão à internet móvel no país continua cortada, mas uma minoria já recuperou o serviço de dados, e alguns jovens têm utilizado plataformas de redes privadas virtuais (VPN) para ficar online.

Até esta quarta-feira (14), a maioria dos cubanos continua sem acesso à internet nos celulares, o que na prática significa um apagão quase total, já que poucas residências em Cuba têm conexão Wi-Fi.

Neste cenário, alguns cidadãos de todo o país, principalmente jovens, têm recorrido a plataformas de VPN (como Psiphon e Thunder) e a outros truques para driblar a censura e acessar as redes 3G e 4G, controladas pelo monopólio estatal da Empresa de Telecomunicações de Cuba (Etecsa).

” É preciso ativar os dados, e depois a VPN, e colocá-la na região dos Estados Unidos. Depois, colocar o telefone em modo avião por cinco segundos e, ao desativá-lo, ele se conecta” explicou à Agência Efe uma mulher de 26 anos que mora em Havana e conseguiu acessar a internet nesta quarta, após dois dias e meio sem conexão.

Também foram reportados casos excepcionais de cubanos que recuperaram a conexão de forma intermitente, sem ajuda de VPN, mas não podiam acessar alguns aplicativos, como o WhatsApp.

As redes Wi-Fi privadas e em espaços públicos não pararam de funcionar em Cuba, mas tiveram restrições intermitentes no WhatsApp.

O serviço de internet móvel ficou desabilitado no domingo, após os protestos contra o governo se ampliarem por todo o país, em meio a uma grave crise econômica e sanitária e à escassez de alimentos, medicamentos e produtos básicos.

O corte da internet interrompeu a rotina de parte dos trabalhadores de Cuba, já que o trabalho remoto foi adotado por muitos setores.

A Etecsa não ofereceu nenhuma explicação para o apagão. Na terça-feira (13), o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, atribuiu “as interrupções da eletricidade” a outras dificuldades do país.

– É verdade que faltam dados, mas também faltam medicamentos – disse o chanceler, sem reconhecer explicitamente a responsabilidade do governo.

*EFE

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