França e Alemanha misturam vacinas contra Covid para diminuir riscos

França e Alemanha misturam vacinas contra Covid para diminuir riscos

Autoridades sanitárias da França e da Alemanha têm recomendado que seus cidadãos de, respectivamente, menos de 55 e 60 anos e que já tomaram a 1ª dose da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a covid-19, recebam como 2ª dose um imunizante diferente do primeiro. Nesse caso, a escolha preferencial recai sobre a Pfizer ou a Moderna. A combinação, que surpreendeu especialistas, tem sido receitada para reduzir o risco de coágulos, entre os mais jovens, relacionado ao produto de Oxford.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) não recomenda a mistura de vacinas diferentes. Ainda não há estudos sobre as possíveis consequências dessas combinações. Além disso, o risco de ocorrência de coágulos entre aqueles que recebem as duas doses da AstraZeneca é muito raro. Não justificaria tal alteração do protocolo. Na Europa, foram 222 casos em pelo menos 34 milhões de vacinados.

“Acho uma decisão no mínimo controversa”, afirma o pediatra Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim). “O risco de coágulos é baixíssimo, e não há estudos sobre essas combinações de vacinas. Não sabemos, por exemplo, se essa combinação pode oferecer proteção mais baixa ou até favorecer mais coágulos.”

Na França, a decisão deve afetar 530 mil pessoas com menos de 55 anos que já tomaram a 1ª dose da vacina da AstraZeneca entre o início de fevereiro e meados de março. A Alta Autoridade de Saúde, um painel de especialistas que aconselha o governo francês, disse que a 2ª dose deve ser de vacinas baseadas na tecnologia de RNA, como a da Pfizer e a da Moderna. Segundo o ministro da Saúde francês, Olivier Véran, a combinação de vacinas diferentes é “totalmente lógica”.

A vacina Oxford/AstraZeneca é um dos três imunizantes usados na campanha de imunização brasileira, junto da Coronavac e do produto da Pfizer. No Brasil, as doses de Oxford são fabricadas pela Fiocruz e, para o segundo semestre, a expectativa é de produção 100% nacional, sem dependência de insumos importados.

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