CFM manda: Há 4 anos sem concluir um único Revalida, Brasil desperdiça milhares de médicos brasileiros formados no exterior

CFM manda: Há 4 anos sem concluir um único Revalida, Brasil desperdiça milhares de médicos brasileiros formados no exterior

O mundo vive sua maior crise sanitária dos últimos anos. Apesar da enorme necessidade, cerca de 15 mil médicos brasileiros estão sem poder exercer suas funções no país, por conta da ausência de uma prova completa do Revalida. A última concluída foi em 2017, há quase quatro anos atrás. Estudantes do curso nos países estrangeiros questionam o Conselho Federal de Medicina (CFM) pelas dificuldades impostas para aceitar novos profissionais da saúde, mesmo oriundos do Brasil, formados fora do país.

No final de 2020, a prova foi iniciada, porém não obteve ainda o prosseguimento e nem se sabe como serão os novos processos. Por conta da pandemia, acredita-se que deveria ser prioridade o recebimento de novos profissionais da Saúde.

O pedido principal não é a aceitação livre de estudantes de outros países, mas a aplicação dos procedimentos necessários para poderem regressar ao Brasil cumprindo suas funções conforme a formação.

O CFM é criticado pelos estudantes por conta do “corporativismo” e exigências “superficiais” para que os formados fora do país possam trabalhar no Brasil. Um dos maiores questionamentos é a preocupação do Conselho com apenas planos de carreira e salários, o que não é suficiente para estruturar melhor a categoria no país.

Em estudo divulgado pelo Conselho Regional de Medicina do estado de São Paulo (Cremesp) após avaliação, quase 70% dos recém-formados no país não sabiam identificar um infarto ou aferir a pressão de um paciente. Isto derruba o mito sobre a qualificação profissional só ser realizada corretamente em solo brasileiro.

De acordo com o estudante de medicina no exterior, Igor Almeida, o fato de não realizar o Revalida “potencializa” as dificuldades com profissionais da Saúde na pandemia da Covid-19, o que faz com que o atendimento tenha qualidade inferior ao necessário.

“A não realização da prova do Revalida nesses últimos anos e a não conclusão do último realizado, apenas potencializa um dos problemas na pandemia que é a falta de profissionais capacitados a atender. O revalida por si só é um excelente recurso para avaliar habilidades médicas, desde que feito de forma justa e condizente com a realidade, sem intuito punitivo ou tendencioso, inclusive uma prova de habilidade médicas deveria ser expandida a todos profissionais formados no Brasil já que a preocupação é a qualidade de atendimento”, relatou.

Além deste índice baixo de profissionais em atividade, o Brasil perdeu muitos médicos por conta do coronavírus, o que reduz ainda mais o quadro da categoria nos hospitais.

Almeida ressalta a legislatura que garante a aplicação das provas e garante a capacitação dos médicos formados fora do país. Assim como nas críticas mais recorrentes, o estudante citou o cooperativismo do CFM.

“Não ter o revalida conforme prevê a lei é ir de contra a necessidade mais vigente em nosso contexto atual, já que o objetivo é buscar profissionais qualificados, então mais parece um protecionismo e cooperativismo que real preocupação com a saúde da população. Ao meu ver, o mesmo vale pra contratos temporários como o mais médicos ou médicos pelo Brasil, sou a favor de processo seletivo para essas contratações, que as vagas sejam preenchidas por profissionais capacitados independente do diploma de origem desde que atendam às necessidades para exercer a função, que abram as vagas e que os melhores classificados assumam”, concluiu.

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