Boulos paga mico e dá informação errada ao justificar acampamento de ‘sem-teto’ em área ambiental

Boulos paga mico e dá informação errada ao justificar acampamento de ‘sem-teto’ em área ambiental

Em ao menos duas ocasiões na segunda-feira (23), o candidato a prefeito de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) apresentou informação errada para justificar ações do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) em área de proteção na zona sul de São Paulo.

Como a Folha publicou, o candidato tem afirmado que sua campanha é “radicalmente ecológica”, mas situações no passado vão de encontro a esse discurso, com acampamentos do movimento levantados em áreas de preservação e pressão sobre políticos para a mudança de normas.

Um desses casos é a Vila Nova Palestina, ocupação em São Paulo nas proximidades da represa Guarapiranga, que já foi contestada por ambientalistas por estar localizada em uma área de manancial —que pode pôr em risco o abastecimento da cidade.

O movimento, sob a liderança de Boulos, passou a cobrar do então prefeito Fernando Haddad (PT) que revogasse um decreto assinado anos antes pelo ex-secretário de Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge que determinava a instalação de um parque ecológico naquele terreno.

Um dos maiores críticos da ocupação foi o vereador Gilberto Natalini (ex-PV e hoje sem partido), que apontava a área como sendo de manancial e potencialmente prejudicial ao abastecimento da cidade.

A reportagem também questionou a Cetesb sobre o local ocupado pelo MTST em Embu das Artes, uma área de preservação com nascentes. O terreno pertence à CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), órgão do governo paulista.

Segundo o órgão, “em fevereiro de 2016 houve emissão de licenciamento ambiental pela Cetesb, revalidado em maio de 2018. Um novo pedido em fevereiro de 2020, com proposta de alteração do projeto, foi indeferido por não haver previsão legal para uma segunda prorrogação”.

A CDHU informa que “mantém tratativas com o MTST para viabilizar junto com a Caixa Econômica Federal um projeto habitacional no âmbito do Programa Nossa Casa em Embu das Artes”, mas “o projeto do empreendimento, porém, precisa ser novamente licenciado, visto que o antigo certificado expirou”.

Desde 2014, Boulos tem se reunido com os prefeitos da cidade para resolver os problemas da ocupação, e já foi questionado a respeito do impacto ambiental tanto pela Justiça quanto por ONGs de proteção ao meio ambiente.

Após a publicação da reportagem da Folha, Boulos fez críticas sempre que questionado a respeito do seu conteúdo, acrescentando a informação errada de que houve um projeto aprovado por órgão ambiental.

Ao Roda Viva disse que “infelizmente, essa matéria expressa uma desinformação”. “Eu li a matéria hoje de manhã e eu fiquei chocado como não se teve a capacidade de recorrer aos fatos básicos”, afirmou, embora os questionamentos sobre o teor da reportagem tenham sido enviados para a sua assessoria mais de 24 horas antes.

Segundo ele, “a Vila Nova Palestina é um terreno de 1 milhão de metros quadrados” e “apenas 200 e poucos mil metros quadrados vão ser utilizados para moradia popular”.

“Três quartos do terreno vão ser preservados para um parque ecológico e a área utilizada para moradia já estava 100% desmatada antes de qualquer ocupação existente”, afirmou.

Também disse que era “a mesma coisa” com a ocupação de Embu das Artes. “Um terço só da área de APA [Área de Proteção Ambiental] vai ser utilizada. Foi aprovado pelo Conselho Gestor de APA.”

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